MINEIRA EMAGRECE SEM CIRURGIA 50KG

MINEIRA EMAGRECE SEM CIRURGIA 50KG: “ERA TÃO GORDA QUE NÃO PODIA BRINCAR COM MEU FILHO”

Quando viu a balança marcar 122,3 kg, a mineira Aline Prado levou um susto. Apesar de ter consciência de que era obesa, fazia muito tempo que ela não se pesava. Aline cogitou fazer a cirurgia bariátrica, mas não tinha dinheiro para custear o procedimento O jeito era tentar emagrecer “na marra”, com dieta e exercícios, conciliando a nova rotina com os cuidados com o filho pequeno – Arthur, na época, tinha um ano. E foi exatamente ele que motivou a mãe a mudar de vida: Aline está 50 kg mais magra e firme no propósito de continuar sua saga em busca de uma vida mais saudável.

ADOLESCÊNCIA TRAUMÁTICA: OFENSAS DO EX-NAMORADO E REMÉDIOS PARA EMAGRECER

Aline nunca tinha sido gordinha e nem tido neuras com corpo, mas os problemas tiveram início quando, aos 15 anos, ela começou a namorar. O parceiro era excessivamente preocupado com o físico e transferia isso para a namorada. “Eu pesava 65 kg, mas ele falava que eu estava gorda, que queria que eu pesasse menos. Falava para machucar. Por isso, comecei a tomar remédio para emagrecer. Era sibutramina e outras anfetaminas, manipulados com um monte de coisa. Fiquei nessa durante uns três ou quatro anos. 47 kg foi meu menor peso”, conta a mineira de Ibiá. Ela diz que fazia dietas malucas, como ficar a semana inteira à base de iogurte, e sofria também os efeitos compulsivos que, segundo ela, eram causados pelos medicamentos.

ARQUIVO PESSOAL
Aline diz não ter muitas fotos da época em que estava acima do peso. Aqui, ela aparece com o filho Arthur
“Para não comer, eu descontava essa compulsão em outra coisa: eu comprava muito, muito mesmo. Cheguei a ficar endividada. Gastava algo como R$ 1000 toda vez. O remédio também tirava meu sono e começou a me deixar depressiva”, relembra.

GANHO DE PESO: EXCESSOS, CORTICOIDES E GRAVIDEZ

Aline só foi terminar o relacionamento aos 23 anos, quando começou a comer e a beber em excesso e viu o peso pular para 70 kg. Nesse meio tempo, ela descobriu que tinha psoríase, doença crônica cutânea. Para tratar o problema, a mineira precisou tomar corticoide durante seis meses e, nesse período, engordou muito.
Depois, já casada com seu atual marido, ela engravidou: quando soube que seria mãe, se pesou e viu que estava com 104 kg; a partir daí, não subiu mais na balança. “Eu pensava: ‘estou grávida e estou engordando porque estou grávida’. Mas a verdade é que eu exagerei muito no prato”, conta. Aline diz que comia a noite inteira: sorvete, pipoca, salgadinho, refrigerante, chocolate, carnes gordurosas. “Antes da gravidez, eu já estava assim, mas comi ainda mais durante a gestação. Eu não conseguia dormir e passava a madrugada inteira comendo e vendo TV. Chegava a passar mal de tanto comer”, relata.

“MUDEI DE VIDA PARA TER SAÚDE PARA CRIAR MEU FILHO”

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Depois do aniversário de um ano do filho, Aline decidiu que era o momento de emagrecer de vez
Quando Arthur tinha oito meses, Aline precisou parar de amamentá-lo por conta do tratamento para curar uma anemia. Aos 10 meses, o menino começou a tentar andar – não queria mais colo, só ficar no chão. Por causa do excesso de peso e da falta de fôlego, Aline tinha muita dificuldade para agachar, sentar e movimentar-se de maneira a acompanhar o ritmo de uma criança pequena. “Como eu não conseguia fazer nada, não fui eu quem ensinou meu filho a andar. Foi meu marido. Não ter participado disso me machucou muito”, recorda-se.
Uma semana depois de Arthur completar um ano, Aline foi a uma nutricionista e, depois de muito tempo, voltou a subir em uma balança: 122,3 kg eram o saldo dos anos de excessos. Prestes a completar 27 anos e com um bebê de um ano para cuidar, ela não tinha dinheiro para custear uma cirurgia bariátrica, mas estava determinada a emagrecer. Por isso, com o apoio da mãe e do marido, aceitou o desafio de fazer a dieta proposta pela nutricionista, além de começar a fazer exercícios.

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A mineira conseguiu perder 50 kg desde que começou a reeducação alimentar e os exercícios
A meta, inicialmente, era perder 4,6 kg por mês, durante um ano. Mas ela secou 5 kg nos primeiros 15 dias e ficou super empolgada. “Sempre tive na minha cabeça que, para emagrecer, a gente tem que ficar sem comer. Quando ela me passou a dieta e eu olhei aquele tanto de coisa para comer, de três em três horas… Achei a nutricionista louca. Mas resolvi dar esse voto de confiança a ela. E deu certo”, comemora Aline. Em três meses, ela já tinha perdido 20 kg, mesmo com a luta para ficar longe dos doces – ela tinha o hábito de sempre comer uma guloseima ou tomar refrigerante depois do almoço, mas passou a chupar uma laranja todos os dias e a optar por opções mais naturais. Outro truque para não escorregar é sempre levar marmita.
No início do emagrecimento, a maior dificuldade era fazer exercício físico, porque Aline sentia muito cansaço e não dava conta de arrumar a casa. Ela começou só caminhando, em média, 5 km por dia. Depois, passou a fazer musculação e aeróbico na academia. Hoje, a mineira corre os 5 km que antes caminhava e puxa ferro de segunda a sábado.
Pouco mais de um ano depois do início da reeducação alimentar, Aline já perdeu 50 kg. Atualmente, ela pesa 72 kg, distribuídos em 1,69 m, e a meta é chegar a 65 kg. Ela diz que até hoje tem muitas estrias e excesso de pele na barriga e nos braços. “No braço melhorou um pouco, mas na barriga não tem jeito. Incomoda. Eu nunca fiz plástica, mas tenho a intenção de passar por um procedimento para tirar esse excesso do abdômen”, conta.

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Um “antes e depois” de Aline, que passou dos 122,3 kg para os 72 kg
Mesmo assim, a mineira garante que o que mais a motivou para emagrecer foi a saúde. “Antes, eu era muito ligada em estética, roupa e beleza. Agora, eu penso em ter saúde para criar meu filho, para conseguir brincar com ele. Hoje, eu consigo fazer tudo com muita disposição: trabalhar (ela é funcionária pública na área da saúde), cuidar da casa e ter tempo para o Arthur”, diz Aline.
Ela garante que nunca deixou de se divertir por causa da dieta. “Tem gente que pensa que fazer dieta é não sair de casa. Eu coloquei na minha cabeça que tinha que viver, mas fazendo escolhas saudáveis”.
Os dias de trauma com o ex-namorado ficaram para trás (hoje, ele tem uma loja de suplementos, e Aline o marido compram produtos do estabelecimento), assim como as noites em claro comendo até passar mal: nunca mais ela tomou qualquer tipo de antidepressivo, as crises de psoríase ficaram controladas e nem mesmo um resfriado passou perto dela. “Tudo graças à alimentação mais saudável e natural. Não é difícil. Basta ter disciplina e determinação, na alimentação e nos exercícios”, resume.

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